quarta-feira, 22 de julho de 2009

IRREAL

Ela era tão linda que cegava meus olhos. E, fiandeira, recriava tudo que eu via, ou vivia. O riso de feitiço, capaz de mudar todas as rotas e a boca, altar exato, os lábios como leito, onde deitava e alcançava todos os gozos, embarcadouro de todos os desatinos. O beijo, ainda lembro, tinha aromas.

O cabelo longo, a cobrir o dorso nu, feito vestido de trigo, a erosão de milagre a esculpir o corpo - onde nada exagera, ou exclui- , milenarmente, as coxas fartas e precisas, a anca a enlouquecer os homens, o braço a se contrair e dançar enquanto se tocava, úmida e fêmea, a se prometer.

As marcas do sol, a delimitar os meridianos de prazeres. A vida, que se enfeitava toda de flores, só ao rumor de seus passos. O vaso, como liame da casa. A santa, contida em vestidos sacros, a devassa, de gozos insaciados, liberta em nudez e posse irrestrita, a fizeram a dançarina de meu coração...

Ela era linda, linda, e por ela escrevi tratados, aprendi idiomas e novas línguas, dormi ao relento, bebi cicuta e álcool, dançei sobre o perigo, invadi o ocidente e fui hereje e santo. Por ela me fiz jardineiro, só para lhe cuidar...

Ela era linda, linda, linda. E me inventava. Mas eu nunca a conheci...

ENVIADO POR UM CABRA SAFADO DE MACEIÓ..UM ESCRIBA CHAPA BRANCA..KKKKKKKKK....BRINCADEIRINHA

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